sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A Medida

Acordar cedo demais arrasta o fim do dia, e aumenta a produtividade pela manhã.

Água em excesso deixa o café fraco, em pequena quantidade o deixa forte.

Falar demais é o melhor caminho para não ser ouvido, calar demais é ser passivo na comunicação.

Arroz com muita água fica empapado, com pouca fica duro.

De leve o frio refresca, em demasia resseca.

De longe o fogo ilumina, de perto queima.

Escrever forte demais marca as folhas seguintes do caderno, muito de leve fica ilegível.

Um barulhinho é bom, persistente torna-se confusão.

Um pouco de bagunça é parte do produzir, um tanto dela é uma balbúrdia.

Alguns quilos é sobrepeso, dezenas de quilos obesidade mórbida.

Um pouco de idéias, criatividade. Pensamento excessivo sem prática, ilusão.

Algumas pessoas formam uma fila, muitas delas uma aglomeração.

Vivemos buscando a medida certa.

E a melhor medida é aquela que cabe todo conteúdo.





08.01.2010

6 comentários:

Eliana disse...

Adorei amor da mamãe! Bjs

Augusto Amato Neto disse...

Obrigado, Dona Eliana!

Douglas disse...

Oiii Prof a tempos não visito o Blog e percebi que esta diferente, adorei as novas crônicas....

Parabéns pela capacidade de escrever tão bem..

Abraço Iris.....

Augusto Amato Neto disse...

Obrigado pela visita, Iris!
Apareça mais vezes...
Até breve!

L. Fiscina disse...

Meu amigo, seu texto faz indagar se a medida é o reservatório de todo conteúdo ou se é o caminho do meio na construção de um reservatório? Acredito pessoalmente que a primeira concepção é um mito, na exata medida em que o advérbio - todo - é uma aspiração que buscamos, mas que é mais exalado do que inspirado. Ou seja, qualquer dose de totalidade injetada sem interrupção, sem pausa, logo se torna enfadonha, a exemplo do amor. O amor mesmo, não precisa ele mais de exalação do que inspiração? Digam-me: não é bom a saudade? O amor, então, se alimenta mais de saudade ou de presença? Na realidade, buscamos a medida exata de todas as coisas devido ao princípio fundamental de qualquer corpo vivo, a homeostase. Neste caso, harmonia e estética são coisas quase similares. A estética estaria fora da medida? Então, a medida teria que ser forçosamente harmônica? Se sim, em referência a que? O príncipe Sidarta Gautama deixou de ser um asceta e de se auto-sacrificar excecivamente com jejum, falta de banho e outras privações quando ouviu, "se apertar demais estoura, e se afrouxar demais não toca". Eram um velho ensuinando a uma cça a arte de tocar violão. Apenas isso foi suficiente para que ele logo viesse a se tornar um Buda, que pregou o caminho do meio. Penso, então, que o caminho do meio é como um reservatório, que percorremos e usufruímos sem cair no esgotamento, no excesso. Sem o excesso, amantes viveriam uma eternidade, pois não enjoariam um do outro. Talvez, na esfera de Afrodite, a medida correta é mensurada quando há falta, carência ou quando há tempo para sentir a necessidade do outro. Já na esfera do capital, a medida com certeza não é a falta, mas a falta da falta, a falta da carência econômica. Assim, é difícil pensar no caminho do meio abarcando todos os conteúdos. Parece que cada instante é uma medida, e que quando se analisa algum conteúdo fora desse instante, ele mesmo torna-se sem peso, se enfraquece, some. Penso que o peso de todas as coisas é meia medida, quebrada em números fracionários, e o peso do meio de todas as coisas é uma medida de números inteiros.

Um abraço,
Luciano Fiscina

Augusto Amato Neto disse...

Meu caro Fiscina, obrigado pela reflexão precisa, concisa e descritivamente pontual. Vou refletir um bocado sobre suas palavras e os leitores também!
Visite o Observatório mais vezes!
Abraços aos meus soteropolitanos!
Augusto.