quinta-feira, 25 de março de 2010

Padarias

A padaria é como uma mãe isenta de culpa. Se você pedir leite, ela dá; se prefere refrigerante, na mão; mas se estiver em busca de uma dose de cachaça, ela também dá. Se quiser um lanche natural tem; se quiser x-salada também tem; peça uma porção de frango a passarinho e lhe dão sem questionar sua taxa de colesterol.

As semelhanças não param por aí. Algumas não têm higiene e acreditam que sujeira aumenta a resistência do sistema imunológico. Outras padarias são obsessivas com a limpeza, pra pegar o pão com o pegador de alumínio, é preciso usar touca, luva e avental.

Com toda essa variedade, é possível encontrar padarias com cara de bar, onde os homens se aglomeram para tomar cerveja e assistir jogo de futebol. Existe a padaria que parece restaurante e oferece self service de café da manhã, almoço e jantar ou os tradicionais PFs (pratos feitos). Tem ainda aquela com cara de supermercado, com prateleiras e produtos diversos para casa.

Se a variedade de produtos oferecidos é a parte materna da padaria, o serviço é a parte paterna. Do chapeiro ao balconista a maioria são homens. Uma ou outra cozinheira é mulher, mas sabe se lá porque ficam escondidas na cozinha. Talvez pensem que o homem se saia melhor ao exigir respeito tanto diante do pedido do Rabo de Galo (dose de cachaça com conhaque) até o do Brioche (pão doce de origem francesa).

O outro lado do atendimento masculino é o serviço personalizado capaz de fidelizar o mais safado dos clientes. Se você freqüenta a padaria mais de uma vez por semana, será tratado pelo nome e economizará a saliva do pedido a partir da quarta semana. O bom balconista de padaria é como um pai herói que adivinha seu gosto apenas pela cara que está fazendo.

Nas viagens que faço acompanhando atletas, a primeira coisa que procuro perto do hotel, alojamento ou local de competições é a padaria. Se ficar com sono, peço um café. Com fome, corro pra fazer um lanche. Cansado, saio pra dar uma volta. Inspirado, tenho onde sentar para escrever. E sempre preciso dela para todas essas coisas.

Tenho me dedicado a experimentar as diferenças do sanduíche de pão francês com queijo minas na chapa. Em São Paulo, o balconista pede ao chapeiro pelo Mineiro. Não é toda padaria que oferece a iguaria no cardápio, mesmo aquelas que se localizam em Minas. Não é só no sotaque que tenho referências mineiras. Mococa fica em São Paulo, mas faz divisa com Minas e alguns modos e costumes não respeitam a fronteira interestadual.







Para o Jonas da Riopardense e para o Zé (balconista) do Bar do Zé (dono) no centro de sampa.
Ilustração: Pães - tinta acrílica sobre papel canson.

2 comentários:

Valéria disse...

"A padaria é como uma mãe isenta de culpa."
A 1° frase sempre fica e mais nesta, VOCÊ TEM TOODA RAZÃO!!
Amodoro padarias!!

Augusto Amato Neto disse...

Estava pensando sobre os irmãos de padaria. Aquele que você encontra todos os dias na padoca e se torna brother. A noção de irmãos na padaria é mais preservada que numa Igreja.

Pro pessoal de Rio Pardo recomendo a Riopardense, tradicional padaria que foi ampliada e reformada. Tem muita coisa gostosa, ando fazendo lanches e escrevendo por lá.

Valeria, volte sempre!
Beijos.