sábado, 22 de maio de 2010

No Caderno da Oficina 2

Quarto Sapato

No caminho da oficina me deparei com certos sapatos.

Os sapatos do feiticeiro Carpinejar.

Havia um sapato. Quando não via, tropeçava nele.

Mais um. E outro.

Experimentei todos,

Mas ainda estou descalço.

Quando chegar no último, haverei de me calçar.

Quinto Sapato

Chegando no B_arco (Centro Cultural Brasil Arte Comtemporânea) ofegante da caminhada da Consolação à Teodoro Sampaio, encontro Fabrício na porta:

Carpinejar: Tu pode pegar o que me mandou no e-mail corrigido na secretaria. Fiz uns apontamentos e escrevi o que acho que precisa melhorar. Lê e vê se tu entende o que eu escrevi, mas não quero que tu fique chateado.

Augusto: Fabrício, por que você tá cheio de dedos?

C: É que costumo pegar pesado, mas só com quem eu amo.

A: Bom, pelo que você tá falando seus comentários tem um amor gigantesco. (gargalhadas) Vou ler já e te falo.

Vinte minutos depois,estou sentado lendo no café do B_arco e Fabro me aborda:

C: Tu entendeu o que eu escrevi?

A: Sim, você pediu para eu trabalhar uma imagem e eu descrevi o álbum de fotografias. Para mim, esse primeiro texto foi quase uma catarse.

Sexto Sapato

Estava sentado à mesa do café quando chega Fabro para mais um dia de Oficina, o último. Revelei uma foto para lhe presentear e estou ensaiando as palavras do verso. Estávamos vivendo o clima da ternura, resultado da intensidade do método e do procedimento escolhido por Carpinejar para promover a formação dos cronistas. Fabrício pega uma coca e um pão de queijo e senta comigo. A certa altura do papo ele diz:

Carpinejar: Tomei um xingo de uma aluna.

Augusto: Uma aluna do curso?

C: É

Nessa hora, Tati chega com a ansiedade de quem voltaria para suas filhas e para o Rio depois da última aula dessa semana intensa. Coloca suas coisas na mesa onde estávamos quase soterrando o pão de queijo do Carpinejar.

C: Tati, tu chega chegando hein? (risos)

A: Uma aluna da Oficina, mas por que xingou?

C: Eu vou falar na aula.

Tati: É, eu vi a cara dela, ela não gostou da espuma.

Eu me considerava divertido por usar apito e os cartões vermelho e amarelo com meus alunos e atletas, até descobrir a espuma de carnaval do método Carpinejar.

A: Mas se eu fosse ficar bravo com os incômodos gerados teria te batido já no primeiro dia com a história do sapato.

C: Tu teve vontade de me bater? – pergunta com interesse e entonação de quem gosta de incomodar.

A: Não, não tive.

C: Ahhh, que saco... (os três caem na risada).



Um comentário:

Pri Sganzerla disse...

Mas afinal: que raios são todos esses sapatos???? rsrsrsrs