segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sobre os limites no amor e no sexo

O amor proibido é o tema mais corriqueiro de qualquer tipo de literatura. Na minha opinião é por que as amarras de amar estão presentes nos indivíduos e não nos valores culturais vigentes. Veja a capa da Revista Veja de 12/05/2010: “Ser jovem e gay – a vida sem dramas”. A capa trás um jovem bonito e sorrindo: “O estudante carioca de 17 anos, assumiu-se gay para a família e os amigos aos 14”.

O mais distraído leitor subentende que a felicidade em ser gay é assumir o quanto antes. Quando li, fiquei preocupado com o avanço da neuroimagem. O dia que o médico vai fazer ultrassom neurológico e a capa de Veja será: “Joãozinho avisa com dois meses de gestação que é gay”. Sua mãe feliz já pode sonhar com o genro.

Apesar da sociedade ter inventado uma onda de sexualidade sem preconceitos, o que mais se vê entre as novas gerações é a reedição de Romeu e Julieta. Só que o impedimento não é resultado da rusga familiar entre Montecchios e Capuletos. A tragédia de hoje tem versão atualizada, o que garante parte do romance vivida no mundo digital. O Orkut é, sem dúvidas, o palácio das intrigas e o Facebook uma forma alternativa de viver o amor digital.

Como não utilizar desses meios se as sensações diante da foto do perfil, dos recados e depoimentos são as mesmas da troca de olhares, dos sorrisos e dos gestos frente à frente. Até os orgasmos podem ser vividos no mundo online da insunuação, da liberdade e da omissão da responsabilidade.

O sexo enquanto prática, não tem limites. Tudo pode ser feito. Embora não em qualquer lugar. Já o sexo de duas pessoas sempre esbarra em algum limite. Pode ser o limite da quantidade, pode ser o limite do que eu deixo que façam comigo, pode ser o limite que eu me permito experimentar, pode ser o limite físico (fazer até machucar ou fazer tanto tantos dias seguidos a ponto de ter febre).

O sexo não tem limites, as relações humanas sim, estas sempre têm limites, inclusive no sexo. Quando é que o amor pode não ter dramas? Se há entrega e dependência, há de haver sofrimento, mesmo que mínimo.

É preciso compreender que satisfação sexual e insatisfação sexual são duas coisas independentes. O oposto da satisfação sexual não é a insatisfação, mas sim nenhuma satisfação. E o oposto da insatisfação não é a satisfação, mas sim nenhuma insatisfação sexual.

A experiência da maior satisfação sexual pode vir acompanhada de muita insatisfação. A insatisfação pode ser por ter feito sexo sem camisinha, por ter sido o fim de um primeiro encontro, por ter sido apenas sexo, sem o sentimento de pertença. Ou o contrário, saber que depois da intimidade sexual, crescerá a dependência.

Quando a satisfação sexual é grande e a insatisfação é praticamente nenhuma, diz-se que o sexo vivido foi a maior prova do amor existente. O laço selado de um pacto sem cláusulas. Onde a sensação é a mais profunda percepção do outro.

Que seja reconhecido o drama do amor, a dependência do outro selada pelo sexo e o crescimento que só aprende quem ama. Aprende a desfazer os nós e a reconstruir os laços, com muitos dramas criados e vividos.

Fazemos questão de proibir o mais simples e belo amor que podemos demonstrar. Não permitimos que o encontro carregue nossas atitudes, quando não queremos concretizar o mais profundo sentimento.

Ser jovem e amar é viver uma vida cheia de dramas.


2 comentários:

Adriana Macedo disse...

olá li sua matéria, gostei muito faz a gente refletir , mas olha venho te parabenizar por aqui.
felicidades muita saúde olha muuuuuiiito sucesssoooo em sua vida! Claro sobre as bençãos do Senhor!!!

Feeh disse...

Muito legal esse teu post!