sábado, 5 de janeiro de 2013

Promessas de Ano Novo Revelam as Dívidas do Ano Velho

Arte de Weberson Santiago



Eu não confio em quem faz promessas de ano novo. Para mim, as resoluções de ano novo disfarçam algumas dívidas que fizemos consigo mesmos no ano que acabou de terminar. As promessas mostram as pendências. Se não foram cumpridas no ano que terminou, como vou acreditar que serão cumpridas em uma renovação?

Existe uma tendência à procrastinação, uma disposição em deixar para depois, de amolecer na decisão, de se perder no meio de outras necessidades e até de se distrair com qualquer novidade. No dia trinta e um de dezembro imitamos políticos em campanha. Prometemos mundos e fundos em comícios em que somos, ao mesmo tempo, falantes e ouvintes. Passada a posse do primeiro dia do ano, as promessas são esquecidas.

Acredito que todo mundo tem o direito de querer mudar, mas deve tomar cuidado com aquilo que promete. Pior do que cair na lábia de um terceiro é ser enganado pelo que se diz a si mesmo. Todo momento pode ser uma oportunidade de mudança. Não é a virada de ano a única ocasião para recomeçar.

Acredito que a maior aliada para uma mudança é a organização. Quantos pegam uma folha de papel e enumeram sua lista de necessidades? Ninguém quer registrar a promessa, criar a prova para caso venha a falhar. É o medo do próprio julgamento, da severidade do delegado que existe na consciência de cada um. A lista de necessidades nos torna capazes de administrar as prioridades. Com ela é mais difícil de esquecer o que é importante.

Antes de desejar um ano novo cheio de mudanças, pare e observe o quanto o ano que terminou lhe exigiu adaptação, paciência, jogo de cintura, habilidade para lidar com pessoas difíceis. Ao invés de querer que a vida lhe ofereça novas possibilidades, seja sincero consigo e encare todas as oportunidades que você deixou passar, as verdades que você preferiu não olhar, as palavras que você escolheu não dizer.

O meu maior medo em uma passagem de ano é tropeçar no dia trinta e um de dezembro e cair no dia primeiro de janeiro, ignorando o terminar e o recomeçar como um momento de reflexão.

A vida fica sem graça demais se não podemos aprimorar os próprios valores e sem as situações que colocam em questionamento as nossas crenças. Qual o sentido da sua vida? Onde você quer chegar com ela? No que você acredita? O que você valoriza e pretende lutar para que não escorra pelos vãos existentes entre os seus dedos? Como você tem agido emocionalmente? Como você compartilha seus recursos, o que você tem de melhor?

Responder a estas perguntas é mais difícil do que fazer um teste de múltipla escolha daqueles de revista e contar os pontos para que você saiba o resultado. Algumas das questões que levantei acima podem ficar sem resposta.

As pequenas mudanças são possíveis apenas quando temos coragem de encarar grandes reflexões. A felicidade não está em uma resposta absoluta a estas perguntas, mas no questionamento constante, já que a vida muda, as coisas mudam e as pessoas ao nosso redor mudam.

Por isso, eu desejo a você e aos seus queridos um 2013 cheio de mudanças, para que desenvolvam as suas capacidades de adaptação. E na hora de agir, que cresçam as suas ousadias, para que vocês não fiquem presos às atitudes de sempre.  Desejo, principalmente a você que, ao final de 2013, refaça aquelas perguntas e as suas respostas lhe deixem mais satisfeito, com um sentimento de renovação.

E talvez assim, nesse árduo e agradável caminho do viver, torne-se possível mudar a rotina, o hábito e o comportamento repetitivo.

 UM CAFÉ E A CONTA!
| Um feliz ano novo é o que começa igual e termina diferente.


Publicado no Jornal Democrata, coluna Crônicas de Padaria, capa do Caderno Dois, 05/01/2013, Edição Nº 1233. 

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