sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Admiração Está Nos Olhos de Quem Vê

Arte de Weberson Santiago



Quando ela me vê descobrindo as coisas e os lugares da cidade, admira a minha capacidade de encontrar as novidades que estão escondidas nos percursos de sempre. Enxerga um desbravador de oceanos em busca do novo continente onde existe apenas um curioso.

Quando ele me vê trabalhando por muitos dias seguidos sem folga, admira a minha capacidade de encontrar forças onde deveria faltar disposição. Avista uma mulher de super poderes onde está apenas uma pessoa que batalha muito para conquistar o suficiente.

Quando ela me vê trazendo um objeto novo para uso de toda a família, acredita que se eu quisesse seria capaz de fazer um calendário de surpresas diárias.

Quando ele me vê cuidando de casa, me diz que as coisas que eu fiz e os lugares que passei sorriem com semblante de felicidade.

Quando ela me vê cuidando das plantas, imagina que vai receber o carinho das pétalas.

Quando ele me vê cozinhando, pensa que vai lamber o prato.

Quando ela me vê quieto, emudecido, fica tentando entender o silêncio. E com o passar dos anos, ficou boa em acertar o que me entristeceu.

Quando ele me vê cansada, me sugere um banho. Sabe que eu vou me sentir nova ao sair da ducha.

Quando ela me vê produzindo, diz que ninguém é mais criativo do que eu.

Quando ele me vê trabalhando, se esconde para ficar olhando minha maneira de interagir. Ele sorri quando lhe pego me olhando. Como quem estava contente em espiar e fica decepcionado em ser descoberto.

Quando ela acorda depois de uma noite de sexo, fica mais bonita. E ouve das pessoas naquele dia que está mais bonita.

Quando ele dorme depois do sexo descobre que o sexo continua nos sonhos.

Quando ela me vê entrando em casa carregando o pão junto ao peito, ao invés de segurar o saco dependurado, pensa que eu só poderia ser um ótimo pai.

Quando ele me vê cortando o mamão em metades, pensa que retirar as sementes e levar os dois pratos à mesa é o sinal de um verdadeiro encontro.

Quando ela me vê de olhos cansados, imagina que é um sorriso de ponta cabeça.

Quando ele me vê de olhos marejados, fica enxugando as lágrimas que escorrem para formar uma poça de esperança. Encharca os dedos indicadores para secá-los apontando as perspectivas.

Amar é não ser cego para o dia a dia. É ver nos olhos de quem se ama quais são seus próprios sentimentos.

 UM CAFÉ E A CONTA!
| O sol de quem ama nasce na luz dos olhos do seu amado. O céu de quem ama está no contorno dos olhos enamorados.

Publicado no Jornal Democrata, coluna Crônicas de Padaria, capa do Caderno Dois, 02/02/2013, Edição Nº 1237. 

2 comentários:

didi disse...

Parabéns meu filho, ótima crônica.

Aline Viana disse...

Super inspirada sua crônica, moço! Parabéns :D