sábado, 10 de março de 2018

A Criatividade é Filha da Atividade

Arte da Stephanie, a vendedora de faixas.




Há alguns dias assistia a um programa da televisão aberta que contava a história de uma moça que sacou o seu salário e foi assaltada, perdendo todo o dinheiro disponível, cerca de R$ 2.500 reais, para pagar suas despesas. Ela reconheceu que a frustração tomou conta naquele dia. Sua mãe lhe disse que ela não devia reclamar porque tinha os braços e as pernas e era jovem para batalhar por mais dinheiro. O pai disse que dinheiro vai e vem, e que isso faz parte da vida.

Com as contas a pagar, a única alternativa que veio à sua cabeça no dia seguinte, ao olhar no espelho e ver a faixa de cabelo que sempre elogiavam quando ela usava, foi investir os R$ 100 que sobraram para fazer faixas e lenços de cabelo para vender e, assim, conseguir pagar suas contas.

O que seria um plano de salvamento para sua vida financeira se tornou uma segunda fonte de renda e, atualmente, seu principal trabalho. Ao invés de se lamentar e esperar uma resolução mágica, ela buscou um outro caminho. De um episódio desagradável, ela encontrou um caminho de realização.

Neste mesmo programa, outro entrevistado foi o ator João Vitti, que deu um depoimento contando que quando seus filhos eram pequenos, ao passar por dificuldades financeiras devido à ausência de trabalho, começou a fazer pães artesanais para vender. Foram investidos R$ 4 reais, na época, para a primeira fornada.

Começou oferecendo aos amigos e vizinhos, então a propaganda boca a boca fez as vendas aumentarem e, meses depois, entregava 600 pães para restaurantes paulistanos. Quando seu filho Rafael era adolescente, vivia pedindo R$ 50 reais para sair com os amigos. Incomodado com a facilidade com que o filho repetia o pedido durante um único fim de semana, João ensinou Rafael a fazer pães para conseguir seu próprio dinheiro, e entender qual é o custo do trabalho que lhe daria acesso ao lazer. Rafael contou que ele conseguiu ganhar R$ 1.000 reais inicialmente com os pães, o que para ele era uma fortuna.

As duas histórias contam como a privação incentiva a criatividade. Mais do que isso, que diante de um problema, de nada adianta ficar parado e lamentar. Ilustram que a resolução do problema é encontrada com um comportamento ativo na direção da solução.

Os exemplos dados no programa mostram que uma situação desagradável esconde uma oportunidade de reinvenção e aprimoramento. Que soluções estão sempre disponíveis, mas que é preciso de flexibilidade comportamental para encontra-las e produzi-las.

Perdeu ou está sem dinheiro? Comece o dia pondo uma faixa colorida no cabelo, faça uma receita de pão caseiro e saia por aí.

  UM CAFÉ E A CONTA!
| Tem um problema? Ponha sua criatividade para trabalhar!


Publicado no Jornal Democrata, coluna Crônicas de Padaria, caderno Dois, 10/03/2018, Edição Nº 1502.

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